10.26.2009
VIDA LOKA
Festa no meu partamento nos anos 80, em São Paulo, era um pleonasmo. Aqui, eu com minha saudosa prima Daisy Rocha, e o amigo Paulo Braga, produtor cinematográfico, hoje em Curitiba. Foto de quem mesmo? Acho que é do Grimaldi, responsável oficial pelo registro de (quase) tudo.
NEM BOBO NEM NADA
O escritor Rui Werneck de Capistrano, ganhador do Concurso Nacional de Contos do Paraná de 1988, acaba de lançar um novo livro: Nem Bobo Nem Nada. Trata-se de um romance, que o próprio autor define como um "romancélere", uma colcha de retalhos costurada a partir dos pensamentos de um pintor de paredes. Comparado ao consagrado escritor paranaense Dalton Trevisan, Werneck assume a influência, mas faz uma ressalva: considera sua escrita ainda mais crua que a do mestre.
Serviço: Nem Bobo nem Nada, de Rui Werneck de Capistrano. Editora Livre Expressão Vendas diretas com o autor: rwcapistrano@gmail.com
10.25.2009
10.24.2009
Hoje é dia de Homem na Cozinha. Excepcionalmente no sábado (normalmente é na sexta que eles vão para a cozinha).

Fábio com a irmã Maria
Nosso cozinheiro convidado de hoje é engenheiro de formação, amante de mecânica e velocidade, já chegou até a fabricar carros esportivos. Designer gráfico, Fábio Taccari é o filho mais velho de Angelo e Anna Taccari, e irmão da Maria. Em outras palavras, meu cunhado.
Fábio, que também escreve livros, herdou da mãe o gosto pela literatura, e do pai a intuição culinária. E que intuição. Angelo cozinhava por música.
A receita de hoje vem enriquecida de uma história, que começa lá atrás, com uma das paixões de sua mãe: Marcel Proust. Anna Taccari chegou a organizar uma viagem com um grupo de proustianos para a França, para percorrer os locais sagrados do escritor. Trouxe consigo as famosas madeleines, brioches que evocavam o passado para Proust, ao serem degustadas com o chá que tomava no leito onde convalescia. Memórias que são o eixo de sua novela “Em Busca do Tempo Perdido”.
Voltando da França, Anna convidou alguns amigos, entre eles Alfredo Mesquita, para relatar a viagem ao sabor de chá com as madeleines que havia trazido especialmente para a ocasião. Na véspera do encontro, o marido Angelo viu uma caixa com bolinhos apetitosos em meio aos pacotes de viagem, abriu e foi comendo um a um, até se acabarem. A cena que se seguiu ninguém sabe, mas o episódio ficou para os anais da família.
Os pais Anna e Angelo Taccari
Em Fábio, o que desperta lembranças de um tempo remoto não são as madeleines. Mas esta história é melhor contada por ele.
Risoto de lulas, harmonizado com meu prato predileto neste mundo:Simplesmente vôngole!
Porém antes...
Ma che Madeleine, caro Proust, amico di mia madre.
Si chiama Frascati. E non é uma demoiselle petit four francesa, ma guardate dove si cammina, é um néctar nato próprio de uma regione del mondo eterna, Roma.
Mas pelo o que ele é para mim.
Uma Madeleine do Proust.
No primeiro gole estou sentado à mesa com i miei nonni, Marzio e Rosina.
Maravilha, lava a alma e, em minha opinião, harmoniza sim, muito, com os frutos do mar.
Mas vamos colocar a mão no bolso e comprar o farnel. O vinho já falamos pelo meu ponto de vista. Mas vocês que sabem. Cada um tem suas "Madeleines".
Mas vamos colocar a mão no bolso e comprar o farnel. O vinho já falamos pelo meu ponto de vista. Mas vocês que sabem. Cada um tem suas "Madeleines".

Os outros dois personagens são:Lulas, melhor as nacionais pequenas. Compre 400 gramas (a receita vai ser para dois amantes; frutos do mar são afrodisíacos).
Mande limpar deixando a pele, e corte em anéis.
O outro é realmente uma pequena dádiva da natureza. O Vôngole! ½ kg. Mas, atenção, esqueçam aquela droga que se vende nos supermercados, limpos e fora da casca.
Continuando na compra:
3 cenouras médias
3 cebolas médias
2 dentes de alho
Algumas folhinhas de manjerona (não é o manjericão. Pode ser a desidratada também)
Azeite extra-virgem
300 gramas de arroz arbóreo – ideal para risoto
3 batatas médias
3 cenouras médias
3 cebolas médias
2 dentes de alho
Algumas folhinhas de manjerona (não é o manjericão. Pode ser a desidratada também)
Azeite extra-virgem
300 gramas de arroz arbóreo – ideal para risoto
3 batatas médias
O VÔNGOLE. Numa panela grande refogue uma cebola picada em pedaços pequenos com duas xícaras de café de azeite.
Depois que dourar jogue os vôngoles até começarem a abrir.
Coloque água até cobri-los um mínimo. Coloque algumas folhas de manjerona. Salgue o mínimo, pois o vôngole salga muito fácil. Melhor errar para menos aqui.
Deixe ferver por 15 minutos.
Apague o fogo.
Abra a garrafa de Frascati... tome um gole pois você já merece.Criou uma obra de arte.
Será feito em duas etapas.
Primeiro a lula.
Numa panela grande, refogue meia cebola picada, com dois dentes de alho e meia cenoura cortada em rodelas. Depois de dourada, apague o fogo.
Numa outra panela, coloque a lula em um litro de água fria e deixe levantar fervura.
Junte os dois conteúdos, salgue a gosto – sempre pouco – e deixe ferver por 20 minutos. Coloque, no final, um copo de Frascati – será por uma boa causa. Abaixe o fogo.
Numa panela grande, refogue uma cebola grande, junto com duas cenouras raspadas finamente. Depois que a cenoura já cozinhou mudando de cor, coloque o arroz – sem lavar, isto é importante – mexendo sem parar. Comece, então, aos poucos, com uma concha, a transferir o conteúdo da lula com seu caldo para o risoto. Coloque duas conchas e mexa até secar. Continue fazendo assim e mexendo sempre até passar toda a lula para o risoto. Neste momento o arroz já deverá ter soltado todo o amido deixando o risoto deliciosamente papado e macio.
Antes de apagar o fogo coloque mais meio copo de Frascati (isto dói...).
Caso o risoto ainda não esteja cozido o suficiente, coloque mais um ou dois copos de água e continue mexendo até chegar no ponto desejado.
Coloque numa metade o maravilhoso risoto com a colher.
Na outra, com a concha, o vôngole com bastante caldo. Acompanhe com as batatas.
Coma de colher, o risoto e com as mãos, pegue as conchinhas cheias de caldo sugando-as com bastante barulho. Você merece.
Como o Netuno costuma fazer, cantado
“Sapore di mare, sapore di sale...”
Salute Frascati
P.S: Povero Proust com sua Madeleine...
10.23.2009
FUI. MAS VOLTEI.
Aos fiéis leitores deste blog, minhas desculpas pela escassez de posts de ontem. O motivo foi uma viagem de trabalho inesperada para o Rio, mais precisamente para Nova Iguaçu, lugar onde nunca tinha imaginado colocar os pés.
Considerado o mais importante município da Baixada Fluminese, Nova Iguaçu é assim uma espécie de prima feia, comparada ao Rio própriamente dito. Apesar da falta de aparentes atrativos, tem grandes áreas de preservação florestal e paradoxalmente, grande concentração de indústrias, razão da minha viagem. Afinal, alguém tem que pagar as contas deste blog.
Na avenida principal de Nova Iguaçu: muros pintados com reprodução de fachadas de casas, um jeito de amenizar a dureza do concreto dos muros da cidade.
HOMEM NA COZINHA NESTE SÁBADO
Em função desta viagem inesperada, a seção Homem na Cozinha, que esta semana está quentíssima, será publicada no sábado, amanhã. Pra quem gosta de frutos do mar, uma iguaria imperdível pelas mãos de um cozinheiro de primeira qualidade. Vão preparando os babadores.
10.22.2009
Nada mais perigoso para um bebê de 3 meses que uma revoada de tias cheias de amor pra dar. Apertões de bochechas, beliscões nas pernas gordas, apertos em todas as partes, ufa! É um teste dos mais duros a que um garoto pode ser submetido. Mas um dia tem que acontecer. E Joaquim saiu-se bem melhor que o Rubens Barrichello neste fim-de-semana. Fez a pole, subiu no podium e levantou a mamadeira para a tiarada. E sem sambadinha!
Acima, um merecido descanso nos braços da Tia Maristella que aproveita pra tirar uma casquinha.
Maria Thereza e Baby Gregori se revezam pela posse do Joaquinzinho, que parece conformado com a situação.
10.21.2009

Vários comentários e perguntas de amigos curiosos sobre as famílias que povoam este blog me levam a tentar explicar em linhas gerais quem vem de onde. Mas de uma só vez não dá, precisaria de muito blog, a family é cheia de bifurcações, e também não ficaria tão divertido. Então de tanto em tanto, vou explicando esta deliciosa tribo onde fui cair. Hoje quem não conhece vai saber de onde vem a Isabella.
Isabella Pujia, filha do Cláudio Pujia e da Cláudia Jácomo, acaba de vencer o Torneio Regional da Província do Lazio, da qual Roma, onde moram, é a capital.
Desde que nasceu, Isabella demonstra grande talento para a ginástica Olímpica, e tem se destacado em todas as competições das quais participa. E de onde vem todo este talento? Fácil. Acompanhe o raciocínio: a mãe, Claudia, aos 20 anos ganhou o mundo em companhias de dança internacionais. Dançou no grupo do italiano Franco Fontana com o Ôba-Ôba na Broadway, em Las Vegas, Israel e Itália. Onde conheceu Cláudio, o pai de Isabella, atleta, treinador de grandes jogadores de tênis. Aí fica fácil, né? E de onde vem Cláudia? Me acompanhe:
Baby Gregori é a irmã mais nova de uma família de 7 irmãos. Estudou piano clássico, tem irmão maestro (Henrique Gregori), foi casada com Nanai, músico integrante do Bando da Lua. E tem duas filhas, Paula e Cláudia Jácomo. Que é mãe de Isabella. Tá dando pra entender?
PRA COMER COM OS OLHOS
Sai Gula, entra Gosto. Bem movimentado o caldeirão do mercado editorial gastronômico. Já vai para o quarto número a revista GOSTO, dirigida por Dias Lopes, e está muito bem servida. Visual caprichado, crônicas e entrevistas bem temperadas, receitas legais. Gostei.
10.20.2009
ARNALDO ANTUNES CAI NO IÊ IÊ IÊ
Iê iê iê é uma palavra que não está no dicionário, mas todo mundo sabe o que significa. Música jovem de uma época, com seu repertório de timbres, trejeitos, colares, carros e cabelos, o termo traduz um estilo que parece ter ficado parado no tempo, como se fosse um nome que se dava ao rock'n roll antes dele se chamar rock'n roll.
Iê Iê Iê nas palavras de Arnaldo Antunes: "Eu, que, em geral, decido os títulos só depois dos trabalhos concluídos, sabia dessa vez, desde o início, que queria fazer um disco de iê iê iê, chamado IÊ IÊ IÊ. Um pouco pelo sabor das coisas que vinha compondo, um pouco pelo desejo de voltar a uma sonoridade mais dançante, depois de dois discos gravados com uma formação mais leve, apenas com instrumentos de cordas (violões, guitarras, baixo) e piano (substituído no AO VIVO por teclados ou sanfona); sem bateria nem qualquer instrumento de percussão.""As referências são muitas: Surf Music, Jovem Guarda, a primeira fase dos Beatles, trilhas dos filmes de faroeste, o twist, Rita Pavone, programas de auditório e todo um repertório da cultura pop que se traduz em canções contagiantes e de apelo direto.
Gosto da idéia de dar a um disco o nome de um gênero. Lembro do Rock'n' Roll, de John Lennon, que me marcou fortemente."
MESTRE DIDI, A ARTE QUE UNE OS HOMENS AOS DEUSES.
Calendário celebrando a participação do artista baiano Mestre Didi, na Bienal de São Paulo de 1999.
"Flor da civilização popular brasileira", no dizer de Jorge Amado, é Deoscóredes Maximiliano dos Santos, o Mestre Didi. Artista do sagrado, filho único da filha de Oxum Mãe Senhora, soberana do Ilê Axé Opô Afonjá, o terreiro baiano. Ele mesmo, o mestre, o Alapini (sumo sacerdote no culto dos ancestrais Egun, os mortos). Seu verso Yorubá corre nas veias. Suas esculturas-objetos correm o mundo. Sua vida é o legado da história do seu povo.
Direção de Arte: Tokie Esaka/ Direção de criação: Lee Swain/ Texto: Diógenes Moura/ Foto: Freitas
10.19.2009
LETRAS & FORMAS
Letras & Formas é um Sebo bacana ao lado do meu escritório, na Cap. Antonio Rosa, 454. Além de super organizados, fazem cursos de encadernação e afins. (Foto by myself).
Mas pra quem gosta mesmo de garimpar livros em sebos, foi criado um site chamado Estante Virtual, que reúne centenas de sebos em todo o Brasil, e permite compras pela internet. Uma espécie de Amazon do livro de 2a. mão. Não experimentei ainda porque não sou habituado a comprar pela rede. Mas estou tentado...
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